O Visão Enfernal volta e a REvolta contra a Enfermagem como arte continua. A sua afirmação como ciência voltará a tomar lugar neste blogue, centrando a sua essência na divulgação da mais recente evidência científica.
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publicado por Visao ENFernal, em 03.12.07 às 22:30link do post | favorito

Parte 2

 

O posicionamento em prone position requer cuidados acrescidos e pessoal habilitado em quantidade suficiente. O risco de exteriorização de linhas invasivas e do TET é um facto, contudo com técnica e cuidado é possível evitarem-se complicações.

 

Antes de se efectuar o posicionamento, é fundamental ter cuidado acrescido com os globos oculares. As pálpebras deverão estar cerradas ou proteger os olhos com colírio lubrificante no sentido de prevenir abrasões ou desidratação da córnea.

 

 
 

Avaliar os sinais vitais antes do posicionamento para se proceder ao termo de comparação com o doente em prone position. Confirmar a fixação do TET ou traqueostomia, desconectar as linhas invasivas que não são essenciais ao doente e retirar os eléctrodos.

 

 

Posteriormente, o enfermeiro avalia o estado neurológico do doente, dado que poderá ser necessário administrar um bólus de sedação para se possibilitar a técnica de posicionamento.

 

 

Procedimento:

 
  • Uma pessoa fica exclusivamente na cabeceira para proteger a via aérea do doente, dá as instruções de todos os passos do posicionamento, posiciona a cabeça e fixa o TET.
 
  • O número dos restantes elementos varia de acordo com as condicionantes (peso do doente e seu estado físico, número de linhas, presença de drenos), contudo na literatura defendem um mínimo de 3 pessoas. Estas devem-se posicionar em ambos os lados do leito.
 
  • O doente, ainda em posição dorsal, é movimentado para a extremidade lateral contrária ao local onde se encontra o ventilador. Realizar um check-up a todos os drenos, tubos e linhas com vista a minimizar o risco de exteriorização. Colocar a mão que se encontra para o lado que irá ser feita a rotação por baixo da anca do doente.
 
  • É efectuada a rotação do doente em posição lateral e em bloco, até atingir a posição ventral. A cabeça deve ser lateralizada cuidadosamente e os membros superiores são posicionados em extensão com abdução do ombro e flexão do cotovelo. Os membros inferiores permanecem em extensão.
 
  • Poderá ser colocada uma almofada a nível da pélvis para diminuir a pressão a nível do abdómen e outra a nível da zona superior do tronco para facilitar os movimentos torácicos.
 
  • Aplicar os eléctrodos a nível dos ombros e zona lateral do tronco.
 

Cuidados pós posicionamento em prone position:

 
  • Avaliar o estado hemodinamico do doente e SaO2. Frequentemente ocorre hipotensão transitória após a rotação do corpo e caso o doente não responda favoravelmente em termos de oxigenação após 30 minutos em prone position, deverá ser reposicionado em dorsal.
 
  • Colocar a cama em declive por forma a prevenir o edema facial e refluxo gastroesofágico;
 
  • Proceder à lateralização da cabeça de 2 em 2 horas ou de 3 em 3 horas e favorecer ligeira hiperextensão da mesma;
 
  • Realizar cuidados oftálmicos frequentemente para prevenir as lesões já mencionadas;
 
  • Monitorizar de forma criteriosa a permeabilidade do TET, uma vez que em ventral há maior drenagem de secreções;
 
  • Posicionar a sonda vesical entre ambos os membros inferiores. Estar atento aos órgãos genitais masculinos que se encontram propensos à pressão contra o leito, pelo que poderão ser aplicadas almofadas a nível da pelve para diminuir complicações;
 
  • Estar atento a sinais de úlcera de pressão e promover o alívio da pressão em proeminências ósseas utilizando almofadas de gel, preferencialmente.
 

 

 

Esta matéria tornou-se tão importante que fomentou a necessidade de se criarem ajudas técnicas que facilitem o posicionamento do doente em ventral de forma fácil e mais segura. Um desses equipamentos:

 


RotoProne® Therapy System

 

Parece-me importante esta temática uma vez que com o conhecimento aprofundado e consistente, o posicionamento em ventral poderá ser uma decisão a tomar autonomamente pela equipe de Enfermagem. Trata-se de uma medida não farmacológica cujo trabalho de execução e cuidados pós manobra que dependem francamente do enfermeiro.

 

Imagens e fontes de informação:

http://www.medtrng.com/supineprone.gif

http://www.nursing-standard.co.uk/archives/ns/vol18-19/pdfs/v18n19p3341.pdf

http://www.webmm.ahrq.gov/media/cases/images/case100_fig01c.jpg

http://www.kci1.com/317.asp

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1806-37132005000400011&script=sci_arttext

ftp://ftp.spci.org/revista/Portugues/rev102/decubito.pdf

http://www.capscursos.com.br/docs/sindrome%20da%20angustia%20respiratoria.pdf

http://www.medtrng.com/flexionextension.gif

http://interfisio.locaweb.com.br/index.asp?fid=29&ac=1&id=7

http://www.erj.ersjournals.com/cgi/content/abstract/20/4/1017

http://www.ccmjournal.com/pt/re/ccm/abstract.00003246-199812000-00023.htm

http://www.chestjournal.org/cgi/content/full/123/5/1334

http://www.anzics.com.au/teaching/RBH/prone/prone.htm

http://www.kci1.com/images/RP_3quarters_angled.jpg


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