O Visão Enfernal volta e a REvolta contra a Enfermagem como arte continua. A sua afirmação como ciência voltará a tomar lugar neste blogue, centrando a sua essência na divulgação da mais recente evidência científica.
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publicado por Visao ENFernal, em 29.09.10 às 13:44link do post | favorito

 

 

 

 

Já foi abordado neste blogue (infelizmente o post não é consultável por um erro do sapo blogs) o tema relacionado com a oxigenoterapia hiperbárica (OHB). Esta modalidade de tratamento apresenta inúmeras indicações clínicas, dentro das quais salientam-se:

 

  • Lesões induzidas por radiação ionizante (ex: cistite rádica);
  • Embolia gasosa;
  • Síndromes de descompressão (ex: mergulhadores);
  • Intoxicação por monóxido de carbono;
  • Atraso da cicatrização de feridas das extremidades (ex: úlceras de pé diabético);
  • Tratamento de situações infecciosas (principalmente provocadas por agentes anaeróbios);
  • Surdez de instalação súbita;
  • Viabilização de enxertos realizados por cirurgia plástica e reconstrutiva.
  • etc.

 

Existe um leque de indicações importante, contudo outro tipo de aplicações da OHB encontra em estudo. Quanto às complicações induzidas pela hiperóxia e hiperbarismo, existem estudos que demonstram alterações histológicas e na morfologia das vias aéreas inferiores, mais precisamente a nível do parênquima pulmonar (edema, congestão e hemorragia intra-alveolar). Contudo o conhecimento destas alterações a nível da mucosa nasal não é conhecida, pelo que um investigador Português decidiu estudar que compromissos a OHB provoca na zona anatómica do nariz:

 


ALTERAÇÕES NA MUCOSA NASAL PROVOCADAS PELA PRESSÃO ATMOSFÉRICA, OXIGÉNIO E OUTROS FACTORES.

Paulo Sérgio Alves Vera-Cruz Pinto (2009)

Dissertação de Doutoramento em Ciências Médicas - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - UP

(clicar para aceder ao estudo)

 

 

Deixo aqui os highlights deste estudo:

 

  • A OHB usada numa situação aguda não provoca alterações da mucosa nasal, pelo que o seu emprego é seguro;
  • Ao contrário do tratamento agudo, em situações crónicas a OHB provoca alterações histológicas e funcionais da mucosa nasal (com pelo menos 15 sessões).
  • Segundo o investigador, "o tratamento crónico com OHB está relacionado com alterações funcionais, com aumento do débito aéreo nasal e a alterações morfológicas por resposta inflamatória traduzida por infiltração leucocitária da mucosa, aumento de espessura da membrana basal ou do epitélio".

 

Post scriptum...

Coloquei este estudo aqui no blogue não pelo evidente interesse que tem para Enfermagem. Primeiro, por um lado, para mostrar que existem estudos em Portugal de interesse inegável, e com maior frequência se encontra em repositórios trabalhos realizados por estudiosos do nosso País - felizmente. Por outro lado, para mostrar que existem teses de mestrado/doutoramento cujo outcome traduz-se em evolução no conhecimento actual.

 

Por outras palavras são cientificamente úteis.

 

O percurso pós graduado em enfermagem tem vindo a aumentar o número de artigos e estudos publicados em bases de dados, contudo numa mesma linha teórica com a (quase obcessão) necessidade em mostrar o papel do enfermeiro num tipo de serviço qualquer.  Há trabalhos com mérito mais que comprovado mas a grande fasquia aponta para mais do mesmo. Quando é que de uma vez por todas vamos abandonar a espiritualidade, vivências, "sentidos de vida" e moratórias e partir para algo mensuravelmente útil?

 


http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/19381

http://www.hypertc.com/articlepage.cfm?id=90

http://www.sechristind.com/introduction-to-hyperbaric-oxygen-therapy.html

http://www.balancedhealthtoday.com/articles.html

http://www.ecotecmed.com.br/ohb.htm#clinicas

http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=119

http://en.wikipedia.org/wiki/Hyperbaric_medicine

http://www.hyperbaricanswers.com/images/chamber_talking.jpg


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publicado por Visao ENFernal, em 28.09.10 às 13:31link do post | favorito

 

Em conversa com um amigo enfermeiro, surgiu a seguinte proposta...

 

Porque não criar um grupo de trabalho no Hospital de Santo António de enfermeiros de vários departamentos com vista a promover momentos periódicos de reflexão? Uma espécie de tertúlias em que voluntariamente se discutiam assuntos de carácter da profissão, com obviamente o apoio da instituição?


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publicado por Visao ENFernal, em 26.09.10 às 22:59link do post | favorito

 

 

 

Olá a todos os visitantes deste blogue. Antes de mais devo dizer que, por um lado atendendo à falta de tempo e por outro relacionado com a complexidade do tema que estou a trabalhar, o próximo post sobre um tema controverso em enfermagem será publicado daqui a uns dias. Contudo julgo que será "incendiário", e por isso terei de sustentar bem cada palavra que será escrita.

 

Assim aproveitarei para divagar um pouco sobre outros assuntos. Primeiro gostava de agradecer a todos os colegas que aqui perderam uns minutos para comentar os novos artigos, alguns de vocês conheço-vos pessoalmente, conheço o vosso profissionalismo acima da média e por isso o vosso espírito interventivo por um lado já não seria uma novidade. Gostaria muito de vos ter por cá para participar neste espaço pois são estes momentos de reflexão e com crítica ponderada que nos fazem crescer não só como pessoas mas como enfermeiros.

 

Outra boa notícia é o número de visitantes que tivémos na semana passada, que rondou as 600 (uma média de 80 por dia). Trata-se de um número nunca atingido no primeiro ciclo do Visão ENFernal, daí já poder assumir o sucesso desta nova versão (obrigado também Facebook).

 

Para terminar, deixo aqui a divulgação de um evento que julgo que irá despertar interesse em muitos de nós. Trata-se do 10º Congresso Científico do Conselho Europeu de Ressuscitação, que irá ter palco na cidade Invicta nos dias 2 a 4 de Dezembro. O programa preliminar pode ser consultado neste link e aconselho a darem uma vista de olhos pois terá temas de interesse indiscutível.

 

 

 

Até breve!

 


https://congress.erc.edu/index.php

http://www.sntpt.com/celebracoes2009/images/stories/hesaid_press.jpg

 


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publicado por Visao ENFernal, em 20.09.10 às 17:35link do post | favorito

 

 

 

Com frequência assisto à aplicação do produto Cavilon (seja em formato creme ou spray) em zonas de pressão com eritema branqueável, ou mais tardiamente, em úlceras de categoria I. O intuito é claro: prevenir ou retardar a evolução destas lesões.

 

A minha pergunta é: fundamentado em quê?

 

Em jeito de brincadeira, vamos levantar a seguinte hipótese: será o cavilon um produto eficaz para prevenir ou retardar o aparecimento de úlceras de pressão pelo seu uso em zonas de pressão susceptíveis?

 

Vamos começar por conhecer este produto da 3M...

Tanto o cavilon creme como o spray foram desenhados para garantir uma barreira de pele, ou seja como se de uma película se tratasse para evitar principalmente lesões por humidade. Segundo o laboratório, podemos descrever as suas indicações:

 

  • Prevenir maceração em zonas húmidas do corpo (da pele susceptível por incontinência ou em zonas "peri" estomas);
  • Proteger a pele de lesões provocadas pelo destacamento do adesivo de penso;
  • Protecção da pele relativamente a agentes irritantes (como por exemplo a fralda, evitando o eritema por contacto);
  • Tratamento de macerações já existentes.

 

Precauções relativamente ao seu uso:

  • O seu emprego concomitante com outros cremes poderá interferir na sua eficácia;
  • A pele deverá estar bem seca antes de ser aplicado;
  • A presença de cavilon em locais onde se encontram eléctrodos poderá interferir na captação de impulsos;
  • Não deve ser usado em locais onde existe infecção da pele (p. ex. infecção fúngica).

 

E ponto final. O próprio laboratório não contempla outro tipo de indicações para este produto.  Já estudos independentes poderiam explorar outras potencialidades não conhecidas pelo próprio fabricante. Sendo assim, vamos procurar estudos que possam sustentar o benefício do emprego do cavilon em situações não assumidas pelo laboratório que o produz.

 

Aqui encontramos um artigo um pouco antigo, em que se comprovou (numa pequena amostra e desconhecendo o método de estudo) que o cavilon pode ser benéfico para o tratamento dos bordos macerados de uma úlcera, provocado pelo exsudado. Nada de novo, o próprio laboratório já o afirmara.

Neste link é possível analisar um folheto que comprova a eficácia do cavilon para a prevenção de lesões cutâneas, inclusive apresenta um pequeno excerto (texto criado pelo próprio laboratório) que cita:

 

How Can 3M™ Cavilon™ No Sting Barrier Film Help Prevent Skin Damage?

Applying Cavilon No Sting Barrier Film to intact skin can help prevent skin damage from friction and moisture and may help to improve clinical and quality outcomes.
Moisture and friction are accepted risk factors for pressure ulcer development and are part of the Braden Scale for Predicting Pressure Ulcer Risk©. Use of a barrier film for protection of at risk skin is recommended in widely-recognized pressure ulcer preventionguidelines.* Preventing skin damage may reduce the chance of incorrect identification as a pressure ulcer, which could be costly to your facility.

 

Tristemente, para sabermos em que guideline se basearam para assentarem este pressuposto, é necessário entrar em contacto com o gabinete da empresa 3M (*References upon request). O que é certo, é que o restante folheto não acrescenta mais nada daquilo que já conhecemos, o discurso é vago, para além de não mostrar resultados de estudos que demonstrem que de facto o produto é explicitamente eficaz na prevenção de úlceras de pressão.

 

Mas não ficamos por aqui, vamos pesquisar em repositórios artigos que suportem a nossa hipótese:

 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16618326 A liquid film-forming acrylate for peri-wound protection: a systematic review and meta-analysis (3M Cavilon no-sting barrier film)

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15909441 - Comparison of two peri-wound skin protectants in venous leg ulcers: a randomised controlled trial.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15517755 - Comparing cost per use of 3M Cavilon No Sting Barrier Film with zinc oxide oil in incontinent patients.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14648962 - The protective effects of a new preparation on wound edges.

 

 

Toda a informação pesquisada sobre o produto (maior parte dela suportada pelo próprio laboratório) é essencialmente orientada para a promoção do próprio produto, uma vez que nas conclusões apresentadas há um clara relação custo/benefício em prol do uso do cavilon. Outro apostam em vincar as propriedades únicas que possui para tratar lesões por humidade. Contudo não encontrei nenhum que directamente e explicitamente suportasse a nossa hipótese.

 

 

Curiosamente nos fóruns de Enfermagem, apenas nas comunidades Portuguesas é que se verifica esta associação entre o cavilon e a prevenção de úlceras de pressão - terá a ver com factores culturais?

Num momento em que o controlo de gastos é escrupuloso, em que o lema é "gastar, mas bem", como seremos capazes de fundamentar o desperdício de 18,50€ por um creme que é utilizado para um propósito que não está assente em pressupostos científicos mas sim apenas em juízos empíricos?

 

 

 


http://solutions.3m.co.uk/wps/portal/3M/en_GB/Cavilon/skin-care/products/no-sting-barrier-film/

 

http://www.3m.com/intl/br/produtos/655_21.html

http://www.forumenfermagem.org/forum/index.php?topic=2048.0

http://www.prosavos.com/loja/product_info.php?cPath=45_100&nome=Cavilon%20Creme%20Barreira%20Hidratante&products_id=940

http://solutions.3m.co.uk/pv_obj_cache/pv_obj_id_FA4C480B14C0CBAD81B9C5092645DA4DBC890100

http://solutions.3mindia.co.in/3MContentRetrievalAPI/BlobServlet?locale=en_IN&lmd=1254742500000&assetId=1180619210972&assetType=MMM_Image&blobAttribute=ImageFile

http://www.medishop.be/medishop/images/cavilon.jpg

http://www.allaboutyou.com/?module=images&func=display&fileId=62660


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publicado por Visao ENFernal, em 18.09.10 às 20:05link do post | favorito

 

Após um tema relacionado com a química, exponho neste post um artigo relacionado com os cuidados paliativos. Trata-se de um estudo promissor, com uma base metodológica forte (uma população-alvo bem sustentada num estudo randomizado duplamente cego) que conclui algo que poderá contrariar alguns standards de actuação em cuidados paliativos, neste caso o não benefício do emprego de oxigénio por cânula nasal para o alívio sintomático da dispneia em doentes terminais.

 


Retirado de http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2810%2961115-4/fulltext?_eventId=login

 

Effect of palliative oxygen versus room air in relief of breathlessness in patients with refractory dyspnoea: a double-blind, randomised controlled trial
Original Text


Dr Amy P Abernethy MD a e f Corresponding AuthorEmail Address, Christine F McDonald MBBS g, Peter A Frith MBBS h, Katherine Clark MBBS i, James E Herndon PhD b c, Jennifer Marcello MS c, Prof Iven H Young MBBS j, Janet Bull MD k, Andrew Wilcock MBChB l, Sara Booth MD m, Jane L Wheeler MSPH a, Prof James A Tulsky MD d n, Alan J Crockett PhD o, Prof David C Currow BMed e f

 


Background
Palliative oxygen therapy is widely used for treatment of dyspnoea in individuals with life-limiting illness who are ineligible for long-term oxygen therapy. We assessed the effectiveness of oxygen compared with room air delivered by nasal cannula for relief of breathlessness in this population of patients.

 

Methods
Adults from outpatient clinics at nine sites in Australia, the USA, and the UK were eligible for enrolment in this double-blind, randomised controlled trial if they had life-limiting illness, refractory dyspnoea, and partial pressure of oxygen in arterial blood (PaO2) more than 7·3 kPa. Participants were randomly assigned in a 1:1 ratio by a central computer-generated system to receive oxygen or room air via a concentrator through a nasal cannula at 2 L per min for 7 days. Participants were instructed to use the concentrator for at least 15 h per day. The randomisation sequence was stratified by baseline PaO2 with balanced blocks of four patients. The primary outcome measure was breathlessness (0—10 numerical rating scale [NRS]), measured

twice a day (morning and evening). All randomised patients who completed an assessment were included in the primary analysis for that data point (no data were imputed). This study is registered, numbers NCT00327873 and ISRCTN67448752.

 

Findings
239 participants were randomly assigned to treatment (oxygen, n=120; room air, n=119). 112 (93%) patients assigned to receive oxygen and 99 (83%) assigned to receive room air completed all 7 days of assessments. From baseline to day 6, mean morning breathlessness changed by −0·9 points (95% CI −1·3 to −0·5) in patients assigned to receive oxygen and by −0·7 points (−1·2 to −0·2) in patients assigned to receive room air (p=0·504). Mean evening breathlessness changed by −0·3 points (−0·7 to 0·1) in the oxygen group and by −0·5 (−0·9 to −0·1) in the room air group (p=0·554). The frequency of side-effects did not differ between groups. Extreme drowsiness was reported by 12 (10%) of 116 patients assigned to receive oxygen compared with 14 (13%) of 108 patients assigned to receive room air. Two (2%) patients in the oxygen group reported extreme symptoms of nasal irritation compared with seven (6%) in the room air group. One patient reported an extremely troublesome nose bleed (oxygen group).
Interpretation
Since oxygen delivered by a nasal cannula provides no additional symptomatic benefit for relief of refractory dyspnoea in patients with life-limiting illness compared with room air, less burdensome strategies should be considered after brief assessment of the effect of oxygen therapy on the individual patient.

 

Funding
US National Institutes of Health, Australian National Health and Medical Research Council, Duke Institute for Care at the End of Life, and Doris Duke Charitable Foundation.

 


http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2810%2961115-4/fulltext?_eventId=login

http://www.mountsinai.on.ca/patients/support/palliative-care/resolveUid/157e48596a114a30b3494e53b1eb7c23

http://www.ageconcern.org.nz/files/medication.jpg


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publicado por Visao ENFernal, em 13.09.10 às 22:45link do post | favorito

Sejam bem-vindos novamente ao Visão Enfernal. Para inaugurar a nova versão, gostaria de abordar um tema técnico da área da química. Certamente já preparámos soluções cujas concentrações nos colocaram dúvidas relativamente à possibilidade de serem administradas por via endovenosa periférica atendendo à sua concentração de compostos que são adicionados. Primeiro vamos abordar conceitos essenciais para percebermos termos que irão ser obrigatoriamente utilizados:

 

 

 

 

  • Osmose corresponte à passagem de água através de uma membrana semi-permeável à água (não ao soluto) de uma solução mais diluída para uma menos diluída (corresponde ao movimento de água entre soluções por forma a que a concentração de água entre ambos os fluidos se torne equivalente).
  • Pressão osmótica é uma medida que corresponde à pressão necessária para impedir o movimento por osmose entre duas soluções separadas por uma membrana semi-permeável (neste caso permeável apenas para a água e não para as partículas do soluto).  O soluto exerce pressão sobre o solvente, criando um gradiente de pressões que se deverá igualar no final em ambos os lados.
  • Mol (M) é a quantidade de matéria de um sistema que contém tantas entidades elementares quanto são os átomos contidos em 0,012 quilograma de carbono-12; seu símbolo é "mol.


Conhecidos estas medidas, vamos seguir para o tema que central deste post:

 

  • Osmol (Osm/Osmol) corresponde à quantidade de moles de um composto que interfere na pressão osmótica de uma solução. A milésima parte do Osmol é conhecida como mOsm (miliosmol).
  • Osmolaridade mede a quantidade de partículas existentes num determinado solvente. Mais concretamente define o nº de partículas osmoticamente activas por litro de solução (Osmol/L), partículas estas capazes de criar gradientes osmóticos. Logo quanto maior a osmolaridade de uma solução, maior será a quantidade de partículas que possui, menor será a concentração de água (as partículas ocupam o espaço que seria ocupado pela água) e por isso cria maior resistência à perda de água.
  • Osmolaridade não deve ser confundida com osmolalidade. Ambas assumem uma medida de partículas osmoticamente activas, contudo a osmolalidade refere-se às mesmas num Kg de de água (Osm/Kg) ao passo que a osmolaridade num Litro de água (Osm/kg).
  • Continuando, uma solução diz-se isosmótica quando a sua osmolaridade é igual à solução de referência, neste caso a bibliografia assume os 300 mOsm/L, o equivalente ao meio extracelular (a literatura aponta também para um intervalo de valores relativamente à osmolaridade do meio intravascular, nomeadamente entre 285-310 mOsm/L). Acima deste valor é hiperosmótica, abaixo hiposmótica. A solução de NaCl 0,9% (erradamente intitulada como Soro Fisiológico, um assunto que poderá ser explorado eventualmente mais tarde neste blogue) possui 308 mOsm/L.

Estes conceitos são fundamentais para conhecer o básico do equilíbrio hidroelectrolítico do corpo humano, contudo o objectivo deste post é agora relacionarmos estes dados com a segurança que conferimos ao doente em termos de soluções a serem administradas por via parentérica, e não aprofundarmos os conhecimentos relativos à desidratação, tonicidade ou gap aniónico.

 

Em meio hospitalar, com grande frequência, são usadas soluções com aditivos, para além de nutrições parentéricas com elevados valores de osmolaridade. Soluções infundidas com elevada concentração final potenciam lesões vasculares, podendo ocorrer perda de células do endotélio venoso, reacção inflamatória local, edema ou trombose, culminando com muita frequência em flebites.

A Infusion Nurses Society (INS) estadia o risco de se desenvolver flebite atendendo à osmolaridade da solução:

  • Risco baixo: < 450 mOsm/L
  • Risco moderado 450-600 mOsm/L
  • Risco alto > 600 mOsm/L (em soluções hiperosmóticas deste calibre deverá ser ponderada a utilização de acesso venoso central; existem estudos que apontam para risco alto entre os 600-900 mOsm/L, contudo optei por inserir um standard assumido por uma instituição de renome cujo objectivo da mesma é o estudo da administração de soluções por via parentérica)

Ou seja, para se prevenirem situações desta natureza é fundamental conhecermos a osmolaridade da solução a administrar ao doente. Como podemos calcula-la? Usando esta fórmula (segundo a INS):

 

 

 

 

 

Compreensivelmente executar este tipo de cálculos em meio hospitalar traduz-se em perda de tempo útil, bem como um processo pouco exequível  uma vez que que seria necessário referenciar em tabela o peso molecular de todas os compostos usados em solução. Por esse motivo, disponibilizo um website muito interessante (recomendo vivamente que seja explorado com alguma minúcia, pois apresenta outras ferramentas bastantes interessantes) que inutiliza este cálculo, executando-o quase instantaneamente:

 

 

 

 

http://www.globalrph.com/osmocalc_valid.htm

 

Para finalizar devo dizer que a literatura é unânime: formação de flebites é de causa multifactorial. A osmolaridade é um dos critérios a ter em conta, contudo a principal causa aponta para o pH (curiosamente em Inglês se escreve PHlebitis), para além do ritmo de administração da solução ou características individuais da pessoa em questão.

 

Deixo uma quesstão no ar: que estratégias simples poderão ser utilizadas para minimizar (p. ex.) as flebites recorrentes provocadas pela administração de cefalosporinas ou Nutrições parentéricas?

 

 


http://www.globalrph.com/index.htm

 

http://www.globalrph.com/osmocalc_valid.htm

http://www.rxkinetics.com/iv_osmolarity.html

http://www.nutritionjrnl.com/article/S0899-9007%2898%2900037-9/abstract

http://www.medscape.com/viewarticle/511168

http://www.ctins.org/Marc%20Stranz%20Understanding%20pH%20and%20Osmolarity%20INS%202008.pdf

http://www.ins1.org/i4a/pages/index.cfm?pageid=1

http://en.wikipedia.org/wiki/Osmolarity

http://fisiologia.med.up.pt/Textos_Apoio/Membranas/Membranas.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mol

http://2.bp.blogspot.com/_5uwRrhKbtF8/RuSkICmvauI/AAAAAAAABbk/5XnTL932mjg/s320/osmose2-animado.gif


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publicado por Visao ENFernal, em 06.09.10 às 22:39link do post | favorito

 

Olá a todos!

 

O Visão Enfernal assume-se como um espaço para Enfermeiros, com conteúdos relacionados com Enfermagem, mas aberto a todos aqueles que se interessam sobre saúde. O seu objectivo foi criar um local para reflexão sobre os mais diversos temas, embora com uma taxa de adesão abaixo do pretendido. Por este motivo opto por reabrir este blogue, direccionando o seu conceito para os dilemas mais frequentes que surgem da nossa prática, criando conhecimento que permita assentar a nossa contuta tendo em conta a evidência científica mais actualizada.

 

Deverão os CVC´s serem heparinizados? Que estratégias poderão ser usadas para melhorar a adaptação do doente à VNI? Quais as novas recomendações para prevenção de infecções pós-cirurgia? Como calcular a osmolaridade de uma solução que me garanta que poderá ser administrada por via parentérica? Serão os anti-sépticos usados em meio hospitalar eficazes contra todos os microorganismos? Que cuidados a ter com a drenagem torácica por aspiração de baixa pressão?

 

Estas e outras questões serão abordadas neste blogue daqui em diante. Para além disto, solicito a colaboração dos colegas visitantes no sentido de me sugerirem novos temas para que sejam trabalhados e publicados, permitindo assim alargar o leque de conhecimentos aqui disponibilizados.

 

Não posso deixar de referir que todos os conteúdos aqui descritos serão devidamente referenciados, respeitando os direitos dos autores dos estudos que serviram o propósito do tema abordado. Da mesma forma apelo ao bom senso a todos os que, primeiramente, pretendem divulgar conteúdos disponibilizado pelo Visão Enfernal em outro espaço virtual, bem como os utilizar para usufruto profissional/académico. O Visão Enfernal encontra-se aberto para o servir, não se sirva abusivamente deste espaço sem antes solicitar a permissão do autor do blogue, pois terei imenso gosto em trabalhar em parceria com novos colegas.

 

Até breve.


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