O Visão Enfernal volta e a REvolta contra a Enfermagem como arte continua. A sua afirmação como ciência voltará a tomar lugar neste blogue, centrando a sua essência na divulgação da mais recente evidência científica.
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publicado por Visao ENFernal, em 17.11.07 às 15:40link do post | favorito

 

 



Achei invulgar um frase de uma colega Norte-americana, afirmando que um dia seria inventado um simples e único produto “remédio santo” para a generalidade das feridas. Um pouco utópico, ou talvez em tom irónico – atendendo à franca proliferação de produtos expelidos das companhias farmacêuticas a toda a hora –, a escolha do produto acertado para o tratamento de feridas começa a exigir mais método, deliberação e prudência aos Enfermeiros, contrariamente ao que seria pedido numa realidade onde só um único produto subsistiria. Por este motivo sou claramente contra a “normatização” e “protocolação” de procedimentos relativos ao tratamento de feridas, até porque o surgimento de novos produtos implicaria a actualização dos mesmos – e raramente verificam-se “on scheduled time”.

 

Adiante no assunto, neste post pretendo falar sobre a maltodextrina. Trata-se de um hidrato de carbono complexo, composto por maltose e dextrose (daí o nome maltodextrina) que resulta da decomposição do amido de milho. Este polímero começou a suscitar interesse no tratamento de feridas, particularmente feridas crónicas de resolução problemática.

 

Curiosamente, informações relativas ao tratamento de feridas com este produto não abundam pela Internet e, mais invulgar ainda, a maior fonte de informação encontra-se escrito em Português, sobre a tutela do GAIF (mais um ponto a favor deste grupo que tem vindo a desenvolver um trabalho exímio em termos de investigação).

 


Apresentação:

 

Quanto à maltodextrina, existe sob a forma de pó ou gel. O pó encontra-se indicado para feridas mais exsudativas, ao passo que o gel adequa-se mais a feridas secas com potencial para desidratação.

 


 

 


Indicações:

 

Segundo o GAIF, a maltodextrina pode ser utilizada em todo o tipo de feridas, sejam elas úlceras de pressão, feridas de pé diabético, queimaduras de 1º e 2º grau e locais de dador de excerto. Existem autores que defendem benefício do emprego da maltodextrina em feridas infectadas, contudo não existe evidência concreta sobre isso.

 

Tem propriedades desodorizantes da ferida, por diminuição do exsudado purulento. Não é tóxico nem é absorvido para a via sistémica. Está indicado também no desbridamento de placas de necrose, uma vez que actua como um “emoliente”.

 


Modo de actuação:

 

A maltodextrina em contacto com a ferida resulta numa “película protectora para criar e manter um ambiente húmido”, ideal para o crescimento do tecido de granulação. Além disso, por ser uma fonte de energia biodisponível in situ, auxilia no processo de cicatrização.

 

Pelo facto de formar uma película, a sua adesão ao leito da ferida não ocorre, pelo que durante o tratamento não deixa resíduos nem provoca dor.

 


Frequência do tratamento:

 

Segundo o GAIF, o tratamento com maltodextrina poderá ser feito de 2/2 ou 3/3 dias.

 

Trata-se de um penso primário, não estando documentado quais os tipos de pensos secundários mais adequados neste tipo de tratamentos.

 

 

 

Recomendo a leitura dos estudos de caso elaborados pelo GAIF neste link.


Trata-se de um excelente tema para investigar em Enfermagem e nós, Enfermeiros, poderemos todos participar no sentido de elaborar estudos nesta área no sentido de incrementar o conhecimento relativo ao uso da maltodextrina.

 

A todos os colegas que possuem mais informações sobre este assunto, por favor partilhem enviando-me um e-mail ou através de comentário neste post.

 


Fontes de informação

http://www.genome.ad.jp/Fig/compound/C01935.gif

http://www.wisdomking.com/product/multidex-hydrophilic-powder-wound-dressing-9

 

www.gaif.net/artigos-rev.html

 

http://www.macleodpharma.com/Products/Intracell/Intracell.htm

http://www.mni.pt/images/conteudo/Ferida_Exsudado.jpg

http://www.dzoo.uevora.pt/var/dzoo/storage/images/investigacao/15795-7-por-PT/investigacao_large.jpg



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