O Visão Enfernal volta e a REvolta contra a Enfermagem como arte continua. A sua afirmação como ciência voltará a tomar lugar neste blogue, centrando a sua essência na divulgação da mais recente evidência científica.
comentar
publicado por Visao ENFernal, em 05.01.08 às 16:43link do post | favorito

 

 

O Visão ENFernal mantém-se a par-e-passo no que concerne ao estudo da profilaxia da doença isquémica vascular nos indivíduos sujeitos a tratamento com vitaminas do complexo B. A resenha das investigações efectuadas é infindável, prezando uma obsessão quase neurótica em “co” ou não relacionar um factor ao outro. Em matéria de “puxa a sardinha à sua brasa”, sabemos que a investigação ganha um Nobel.


 

Relativamente ao efeito preventivo das vitaminas do complexo B sobre o enfarte, não poderíamos ter uma conclusão tão íntegra como insípida: “não é provável”. Não provável no sentido de não existir efeito casuístico e directo - os estudos hoje apresentados enveredam por conclusões muito díspares.

 

 

 

Confuso? Talvez, e por isso permitam-me uma breve síntese sobre o assunto em questão.

 

Primeiro falemos da homocisteína, também denominada “o colesterol do séc. XXI”. Trata-se de um aminoácido que, por diversos motivos, pode ultrapassar o seu limite normal no organismo, potenciando o mesmo a desenvolver processos embólicos e ateroscleróticos. Por este motivo, patologias cardiovasculares como o enfarte agudo do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais podem estar associados ao excesso de homocisteína no organismo (nível superior a12 µmol/L).


 

As vitaminas do complexo B, nomeadamente a piridoxina (Vitamina B6) a Cianocobalamina (Vitamina B12) e o Ácido Fólico são capazes de diminuir os níveis de homocisteína no organismo, logo numa lógica de raciocínio, doses adicionais destas vitaminas acabariam por diminuir o risco de enfarte. Sobre isto, aconselho este trabalho que, apesar de ser um pouco exaustivo, é fundamental para a compreensão deste tema.


 

Mas em tom de silogismo também nos enganamos, e a lógica de pensamento adoptada pelos investigadores falhou em campo. Em certas regiões da América e Canadá implementaram uma medida de saúde pública através da suplementação dos alimentos em vitaminas do complexo B. O resultado não poderia ser mais desanimador, dado que em certas regiões o efeito obtido foi paradoxal, aumentando a percentagem de enfartes do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais. A falha desta evidência verificou-se em estudos seguintes, mas enquanto uns condescendiam perante os números, outros não descartavam a hipótese formulada. Um destes investigadores decidiu efectuar uma meta-análise com estudo retrospectivo, sobre estudos publicados num período compreendido entre 1966 a 2006 (in http://www.medscape.com/viewarticle/568174):

 

 

 

"Studies were included only if they documented more than 10 incident cases of stroke and followed patients for at least 6 months, and researchers included trials that allowed concurrent treatment with B vitamins during folate therapy.

 

[…]

 

Overall, folate supplementation reduced the risk for stroke by 18%, a significant benefit compared with placebo. There were some interesting caveats to the positive results associated with folate therapy. An analysis of study characteristics suggested that only trials lasting over 36 months demonstrated a significant benefit for folate therapy. In addition, folate was effective only in areas without grain enrichment and among patients without a previous history of stroke.

 

The relative reduction in homocysteine associated with folate treatment vs placebo varied between 10.9% and 39.4%. In trials in which the mean relative reduction in homocysteine levels associated folate was less than 20%, active treatment was not superior to placebo in preventing stroke. However, the relative risk for stroke among subjects receiving folate vs placebo when homocysteine reduction was 20% or more was 0.77".



 

Após a análise de vários estudos, verificou-se que o suplemento de vitaminas do complexo B traduziu-se, na globalidade, em benefício para os doentes com risco de doença cardiovascular. Porém várias questões são levantadas:

 

 

 
  • Dentro das várias vitaminas do complexo B, quais são as mais eficazes na prevenção das doenças cardiovasculares?
 
  • Que doses devem ser administradas para se garantir uma janela terapêutica segura?
 
  • É conhecido o efeito protector em doentes com alto risco, contudo será que o mesmo efeito se aplica a indivíduos com médio risco?
 

 

 

Aguardemos pelo andar da carruagem que o Visão ENFernal vai atrás dela.

 


Fontes de Informação

 

http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v40n5/a06v40n5.pdf

 

http://www.lincx.com.br/lincx/saude_a_z/prevencao/homocisteina_1.asp

 

http://www.medscape.com/viewarticle/568174

http://www.dialogosuniversitarios.com.br/UserFiles/91/Image/vitaminas%20interna%20copy.jpg

http://images.main.uab.edu/uabmagazine/spring00/stroke.jpg

http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2005/jusp723/ilustras/ilustra05.jpg

http://www.unimedaracatuba.com.br/guiamedico/dicas/colesterol/colesterol.jpg

 


mais sobre mim
Janeiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11

13
14
16
17
19

20
21
22
24
25
26

27
29
30
31


links
pesquisar
 
blogs SAPO