O Visão Enfernal volta e a REvolta contra a Enfermagem como arte continua. A sua afirmação como ciência voltará a tomar lugar neste blogue, centrando a sua essência na divulgação da mais recente evidência científica.
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publicado por Visao ENFernal, em 10.10.07 às 19:49link do post | favorito

Hoje é celebrado o dia mundial da saúde mental, uma efeméride não esquecida pela Ordem dos Enfermeiros que vincou a aposta na prestação de cuidados que atendam à diversidade cultural e acessibilidade alargada.

 

http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/noticias/saude+mental+cartazes.htm

 

Os cartazes, distribuídos pela OE por cerca de 840 hospitais, centros de saúde, associações, escolas superiores que ensinam Enfermagem e outras instituições de saúde, têm como objectivo reforçar a ideia de que os cuidados de enfermagem devem considerar e adaptar-se à diversidade cultural da sociedade.

Ou seja, pretende-se que cuidados de enfermagem culturalmente sensíveis ajudem a solucionar os problemas de saúde mental da população migrante, actuando, simultaneamente, como agentes que promovem a saúde e previnem a doença mental.

Além disso, a Ordem procura salientar a ideia de que os enfermeiros estão empenhados em fornecer cuidados acessíveis, equitativos e próximos de todos os cidadãos, independentemente da sua nacionalidade, raça ou etnia, crenças ou valores.

 

Numa realidade em que cerca de um milhão de portugueses sofrem de perturbações mentais, estima-se que 1% de toda a população portuguesa sofre de esquizofrenia, estatística partilhada pela restante população mundial.

A conjuntura actual relativa aos problemas assistenciais ao doente mental torna-se crítica perante dados assustadores do défice de reinserção social. São poucas as estruturas viabilizadas pelas instituições de apoio ao doente mental que fomentem a readaptação do esquizofrénico ao seu quotidiano, que se traduz em internamentos prolongados sem justificação clínica.

Relato o caso da casa de saúde de S. José em Barcelos, que reflecte um quadro muito explícito da realidade corrente: “estão 215 homens internados com patologias mentais. “todos eles poderiam ter alta - já hoje - se tivessem retaguarda social e familiar e um emprego” (in Jornal de Notícias, edição de 10 de Outubro de 2007 – Zona Norte).

Torna-se peremptória a organização dos serviços de saúde no sentido de articular instituições com apoios sociais de rectaguarda. Neste aspecto faria todo o sentido a participação dos cuidados de saúde primários no acompanhamento do doente mental no percurso da sua readaptação, papel esse bastante descurado e que sistematiza, obrigatoriamente, a institucionalização do doente mental, como “meio exclusivo” de tratamento.

Não negligencio a importância da diversidade cultural na abordagem ao doente mental, mas a razão leva-me a priorizar a reflexão de problemas desde a raiz… antes que a árvore caia.


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